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Trégua entre Azerbaijão e Armênia é rompida em questão de horas

19 de outubro de 2020, às 08h22

Buraco de bala na janela de um veículo militar armênio, abandonado após confrontos na fronteira azeri, em Yevlakh, Azerbaijão, 7 de outubro de 2020 [Onur Çoban/Agência Anadolu]

Neste domingo (18), Armênia e Azerbaijão acusaram um ao outro de violar o novo cessar-fogo humanitário imposto sobre os combates no território montanhoso de Nagorno-Karabakh, poucas horas após o acordo.

As informações são da agência Reuters.

A trégua acordada no sábado (17) entrou em vigor a partir da meia-noite (20h00 GMT), uma semana depois de fracassar o cessar-fogo anterior, mediado pela Rússia.

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Trata-se do pior conflito no sul do Cáucaso desde a década de 1990. Ao menos, 750 pessoas morreram desde o início da atual rodada de confrontos, em 27 de setembro.

Às 10h10 GMT, o Ministério da Defesa do Azerbaijão anunciou que a região de Aghdam, adjacente a Nagorno-Karabakh, estava sob bombardeio armênio. Segundo o governo azeri, unidades militares da Armênia abriram fogo na fronteira, ao longo da noite.

“O inimigo disparou contra os arredores da cidade de Jibrail, além de aldeias na região … com morteiros e artilharia”, alegou o ministério, ao reiterar que o exército azeri “assumiu as medidas retaliatórias adequadas”.

Segundo as informações concedidas, unidades militares do Azerbaijão abateram um jato de guerra SU-25, pertencente à Armênia, “que tentava conduzir ataques aéreos contra posições do exército azeri na região de Jibrail”.

O governo da Armênia negou as acusações.

Por outro lado, a Armênia afirmou que o exército azeri disparou duas vezes durante a noite, além de acusar o governo na capital Baku de rejeitar seus apelos para retirar soldados feridos do campo de batalha.

“Tal medida … foi categoricamente rejeitada por Baku”, declarou o Ministério de Relações Exteriores da Armênia, em nota. Baku descreveu o comunicado da chancelaria adversária como “desinformação”.

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Oficiais em Nagorno-Karabakh reportaram que forças azeris lançaram um ataque contra posições militares do governo autônomo. Segundo os relatos, houve baixas e feridos em ambos os lados.

Nagorno-Karabakh é um território montanhoso internacionalmente reconhecido como parte do Azerbaijão, mas povoado e governado pela maioria étnica armênia.

O cessar-fogo anterior, neste mês, pretendia permitir a ambos os lados que trocassem prisioneiros e corpos dos mortos em combate. Porém, decorreu em pouco ou nenhum impacto efetivo nos confrontos em curso na região.

A nova trégua foi anunciada no sábado, após o Ministro de Relações Exteriores da Rússia Sergei Lavrov conversar com suas contrapartes da Armênia e Azerbaijão, por telefone, e enfatizar seu apelo para que respeitassem a trégua.

Rússia, França e Estados Unidos são parte do chamado Grupo de Minsk, corpo de potências globais instituído para ajudar a solucionar os confrontos em Nagorno-Karabakh, desde a década de 1990, sob tutela da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

O Azerbaijão afirmou no sábado que 60 civis foram mortos e 270 feridos, desde o início dos confrontos, em 27 de setembro. Não revelou, contudo, baixas militares.

O órgão autônomo de Nagorno-Karabakh reportou 673 oficiais militares mortos dentre seu contingente, além de 36 vítimas civis, até então.