clear

Criando novas perspectivas desde 2019

Aramco saudita planeja zero carbono até 2050, afirma CEO

24 de outubro de 2021, às 09h53

Sede da petrolífera estatal Aramco em Dhahran, Arábia Saudita, 3 de novembro de 2019 [Mohammed Al-Nemer/Bloomberg via Getty Images]

A gigante de petróleo saudita Aramco planeja alcançar zero emissão de carbono em suas operações até 2050, ao expandir sua capacidade máxima de produção sustentável a 13 milhões de barris por dia, afirmou o diretor executivo Amin Nasser neste sábado (23).

As informações são da agência Reuters.

Nasser, contudo, alertou para a queda exponencial da capacidade global excedente de petróleo cru, ao reivindicar mais investimentos. Segundo o empresário, “demonizar” a indústria de hidrocarbonetos é contraprodutivo para salvaguardar a estabilidade energética.

“A Aramco alcançará sua ambição de zero carbono em nossas operações até 2050”, declarou Nasser durante sessão da Iniciativa Verde Saudita.

No mesmo evento, Mohammed Bin Salman — príncipe herdeiro e governante de fato da Arábia Saudita — prometeu liquidar as emissões de carbono em seu país até 2060.

Nasser defendeu que o investimento em gás natural pode ajudar sua empresa a eliminar grande parte da queima de resíduos líquidos em território saudita. Para o empresário, é preciso uma transição energética ordenada em paralelo com novas fontes já existentes.

LEIA: Iniciativa ambiental saudita incita dúvidas, alertam experts

No entanto, Nasser advertiu ainda que a Aramco não pode trabalhar sozinha para garantir a demanda do mercado global, à medida que as economias recuperam-se gradualmente da crise deixada pela pandemia de covid-19.

Nas últimas semanas, os preços dos insumos energéticos alcançaram novos recordes, incluindo petróleo e gás natural. Ásia, Europa e Estados Unidos registraram falta de combustíveis.

“A capacidade excedente — nosso ponto de vista — é cerca de 3.4 milhões de barris por dia e declina rapidamente”, enfatizou Nasser, ao argumentar que o retorno da indústria aérea a níveis pré-pandemia deve esgotar boa parte dessa capacidade.

“Nossos investimentos não serão suficientes”, acrescentou. “O resto do mundo precisa fazer o investimento certo agora mesmo; caso contrário, teremos uma crise econômica global”.

Em maio, a Agência Internacional de Energia (AIE) reiterou em seu relatório “Net Zero by 2050” que investidores devem deixar de financiar novos projetos de abastecimento de petróleo, carvão e gás natural a partir deste ano.

Às vésperas da cúpula ambiental das Nações Unidas, em outubro, a AIE destacou que recursos destinados à energia renovável devem triplicar nesta década, caso o planeta queira combater de fato as mudanças climáticas e manter sob controle os mercados energéticos.