Oficiais britânicos viajaram à capital iraniana nesta semana para discutir o pagamento de £400 milhões de libras (US$530 milhões) à república islâmica. Quarenta anos atrás, o Irã comprou tanques jamais foram entregues, de modo que o reembolso permanece como fonte de disputa.
O governo britânico avalia canais legais para quitar a dívida, sem desrespeitar as sanções internacionais impostas à economia iraniana. Neste contexto, Londres pediu aos Estados Unidos uma carta formal para isentar os recursos do embargo, ao assegurá-lo como ressarcimento.
Uma fonte anônima citada pela televisão estatal iraniana observou que seu regime pode libertar Nazanin Zaghari-Ratcliffe e outros cidadãos britânicos em troca de restituição do valor.
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Mohsen Baharvand, vice-chanceler iraniano para assuntos legais, comentou o caso ao jornal The Guardian: “Queremos usar esse acordo para mostrar a todos um bom sinal por parte do Reino Unido, junto à possibilidade de ajudar cidadãos binacionais e outras matérias”.
Irã e Reino Unido assinaram um acordo em meados deste ano sobre a dívida, mas o governo britânico alegou não poder implementá-lo devido a sanções dos Estados Unidos.
Segundo informações, Londres considerou contornar as sanções ao designar o pagamento como ajuda humanitária. Todavia, Baharvand negou essa possibilidade: “Não é ajuda; é nosso dinheiro, queremos nosso dinheiro. É bastante simples! Queremos receber nosso dinheiro”.
“E sequer pedimos juros, senão seriam bilhões”, reafirmou o diplomata. “Conversamos com nossos colegas britânicos sobre qual canal é melhor para nos transferir o valor”.
Em contrapartida, o regime iraniano insiste que as negociações nucleares realizadas em Viena e a soltura de Zaghari-Ratcliffe e outros prisioneiros são questões absolutamente distintas.