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Casa Branca defende venda de jatos à Turquia como benefício aos EUA e OTAN

8 de abril de 2022, às 11h46

Piloto turco participa da missão de ‘policiamento aéreo’ da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), na 22ª Base de Comando em Malbork, Polônia, 27 de agosto de 2021 [Cüneyt Karadağ/Agência Anadolu]

A Casa Branca, sob a presidência de Joe Biden, encaminhou uma correspondência ao congresso na qual defende a potencial venda de jatos combatentes F-16 à Turquia em nome de interesses nacionais e da união da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

A carta, compartilhada com a agência Reuters, sucede uma solicitação turca, submetida em outubro, para comprar 40 jatos de guerra e 80 kits para modernizar sua frota. Em março, o presidente Recep Tayyip Erdogan informou que as negociações progrediam positivamente.

Em 2020, sob o governo de Donald Trump, Washington havia sancionado a Turquia pela aquisição do sistema russo S-400, além de remover o aliado na OTAN do programa F-35.

Na ocasião, a Casa Branca alegou o sistema de defesa S-400 poderia ser utilizado por Moscou para obter dados clandestinos sobre o programa F-35, além de ser inacessível à monitoria da OTAN. Ancara, no entanto, insiste que sua compra não representa risco à coalizão.

Naz Durakoglu, chefe do Departamento de Estado para Assuntos Legislativos, reconheceu em carta ao congressista Frank Pallone as tensões sobre a venda de armas à Turquia; no entanto, argumentou que manter as sanções representariam “um preço substancial a ser pago”.

“Nossa gestão crê que há uma aliança de longa data e interesses de capacidade com a OTAN, além da própria segurança nacional dos Estados Unidos e benefícios econômicos, embasados por laços comerciais adequados com a Turquia”, destacou Durakoglu.

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“A venda proposta demanda notificação do Congresso caso o Departamento de Estado decida aprová-la”, continuou. “Reiteramos nosso compromisso com a tramitação estabelecida para o comércio de defesa, incluindo supervisão parlamentar”.

Durakoglu enfatizou ainda as contribuições ativas de Ancara à OTAN, além de seu apoio à “cooperação de defesa e integridade territorial da Ucrânia”, ao descrever tais ações como “importante elemento de dissuasão a influência maléficas na região”.

O Departamento de Estado não confirmou a autenticidade da carta, mas um oficial de alto escalão, em condição de anonimato, corroborou à imprensa que a Washington “valoriza de maneira veemente sua parceria com a Turquia”.

“Estados Unidos e Turquia tem laços de defesa profundos e duradouros e a operabilidade de Ancara junto da OTAN permanece uma prioridade”, reafirmou a fonte.