O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou nesta terça-feira (29) que seus ministros peçam anuência prévia de seu gabinete para divulgar reuniões de bastidores com diplomatas estrangeiros, dois dias após protestos tomarem a Líbia, devido ao encontro sem precedentes do chanceler sionista Eli Cohen, com sua contraparte local, Najla al Mangoush.
As informações são da agência de notícias Anadolu.
Cohen vazou à imprensa um encontro realizado em segredo na cidade de Roma, na última semana. Em resposta, manifestantes líbios fecharam estradas e atearam fogo à residência oficial da ministra, que fugiu do país.
Diante da crise, o primeiro-ministro da Líbia, Abdul Hamid Dbeibeh, exonerou Mangoush.
Segundo a rádio estatal israelense KAN, a nova diretriz de Netanyahu requer aval de seu gabinete para tornar públicas eventuais reuniões de política externa. Não está claro se o premiê tinha ciência da conversa em Roma e de sua posterior divulgação.
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No domingo (27), Cohen se vangloriou do encontro, ao declarar ter explorado possibilidades de cooperação e normalização entre as partes, assim como supostos esforços para preservar o patrimônio da comunidade judaica na Líbia.
A chancelaria em Trípoli tentou minimizar o caso, ao descrever a conversa como “informal” e “improvisada” e negar discussões, tratados ou consultas. Segundo o jornal Yedioth Ahronoth, porém, a reunião foi “coordenada no mais alto nível”, com ciência de Netanyahu.
A Líbia não reconhece Israel e não tem relações diplomáticas com o Estado ocupante.
Seis países árabes instauraram laços com Israel até então: Egito, em 1979; Jordânia, em 1994; e Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Sudão e Marrocos, em 2020.
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