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Normalização saudita-israelense é traição aos palestinos, alerta Raisi

21 de setembro de 2023, às 16h57

Presidente do Irã, Ebrahim Raisi, discursa na 78ª Assembleia Geral da ONU em Nova York, 20 de setembro de 2023 [Presidência do Irã/Agência Anadolu]

A eventual normalização de laços entre Arábia Saudita e Israel seria uma “traição” à causa palestina, alertou nesta quarta-feira (20) o presidente do Irã, Ebrahim Raisi, durante coletiva de imprensa nos bastidores da 78ª Assembleia Geral das Nações Unidas.

Questionado sobre os rumores de normalização, Raisi primeiro enalteceu a reaproximação entre Teerã e Riad, sob mediação da China, neste ano, ao reforçar avanços nas relações com a monarquia.

“Se o objetivo é trazer segurança ao regime sionista, com certeza, não será bem-sucedido”, reiterou Raisi.

Cremos que um relacionamento entre países da região e o regime sionista é uma facada nas costas do povo palestino e de sua resistência.

Em entrevista à Fox News, Mohammed bin Salman, príncipe herdeiro e governante de facto da Arábia Saudita, confirmou que “a cada dia que passa” a normalização é mais provável. No entanto, sem formalizar avanços.

Bin Salman disse que há negociações em curso, mas insistiu: “Para nós, a questão palestina é importantíssima. Precisamos resolver essa parte”. À agência ultraconservadora de notícias, bin Salman alegou ter esperanças de que as negociações “cheguem ao ponto de melhorar a vida dos palestinos, dado a posição de Israel no Oriente Médio”.

Seus comentários coincidiram com um encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em Nova York.

O discurso de bin Salman contradiz seu chanceler, Faisal bin Farhan al-Saud, que reafirmou à televisão estatal saudita, nesta semana, que “não há caminho para resolver o conflito senão ao garantir o estabelecimento de um Estado palestino independente”.

Segundo informações, membros do governo de extrema-direita de Netanyahu opõem-se a qualquer gesto que represente concessões aos direitos palestinos; deste modo, ao retirar da mesa as chances de progresso nas negociações com os sauditas.

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