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Israel destruiu 70% das instalações públicas de Rafah, reporta municipalidade

21 de junho de 2024, às 16h37

Destruição em Rafah, no extremo sul de Gaza, sob ataques de Israel, em 25 de março de 2024 [Abed Rahim Khatib/Agência Anadolu]

Ataques israelenses destruíram mais de 70% das instalações públicas de Rafah, cidade fronteiriça no extremo sul de Gaza, reportou o prefeito palestino Ahmed al-Soufi nesta quinta-feira (20), segundo informações da agência Anadolu.

Os danos do “massacre israelense” incluem infraestrutura básica, destacou al-Soufi. De acordo com seu relato, bombardeios israelenses destruíram na terça-feira (18) dezenas de casas no bairro Saudi, no oeste de Rafah.

“Israel busca tornar Gaza inabitável ao destruir a travessia de Rafah e impedir entrada de assistência humanitária”, comentou o prefeito, ao advertir novamente para a crise de fome que assola o enclave.

Israel avançou a Rafah no mês passado, ao capturar a travessia com o Sinai, no Egito — único ponto de contato entre os palestinos sitiados e o mundo exterior, seja para a sua retirada para cuidados médicos ou para entrada de ajuda humanitária.

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Na quarta-feira (19), a rádio militar israelense confirmou que a travessia não está mais operante do lado palestino, após as operações do exército.

Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram a devastação na travessia e restante da cidade — que chegou a abrigar 1.5 milhão dos 2.4 milhões de palestinos de Gaza, ao quintuplicar sua população pré-guerra de 300 mil pessoas.

As ações israelenses reduziram escolas, hospitais, abrigos, campos de refugiados e até mesmo rotas de fuga a ruínas.

Israel mantém ataques indiscriminados contra Gaza há quase nove meses, deixando 37 mil mortos e 85 mil feridos até então, além de dois milhões de desabrigados. Tel Aviv mantém ainda um cerco absoluto a Gaza desde então — sem comida, água, remédios, combustível e eletricidade.

Israel é réu por genocídio no Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), radicado em Haia, conforme denúncia sul-africana deferida em 26 de janeiro, e age em desacato a ordens cautelares para cessar as operações em Rafah.

Em maio, a promotoria do Tribunal Penal Internacional (TPI), também em Haia, pediu mandados de prisão contra o premiê israelense Benjamin Netanyahu e seu ministro da Defesa, Yoav Gallant.

As ações israelenses são punição coletiva, crime de guerra e genocídio.