O revolucionário sírio Ahmed al-Sharaa foi nomeado oficialmente, nesta quarta-feira (29), presidente da Síria para o período de transição no país, após a queda do regime de Bashar al-Assad, em 8 de dezembro.
Sharaa ascendeu a governante de facto do país após um avanço relâmpago da oposição derrubar o regime em cerca de 11 dias, após 13 anos de guerra civil.
Sharaa foi incumbido ainda de formar um conselho legislativo provisório para o estágio transicional. De acordo com o comando militar da coalizão que destituiu Assad, a então constituição assadista também foi suspensa.
O parlamento nomeado por Assad em 2024 foi formalmente dissolvido, assim como o partido Baath e seu aparato de segurança, responsável pela repressão estatal durante os anos de revolução no país.
A declaração reiterou que Sharaa passará a representar a República Árabe da Síria nos fóruns internacionais.
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As medidas foram tomadas em reunião de lideranças do governo interino apontado em dezembro, encabeçadas pelo Hay’at Tahrir al-Sham (HTS), movimento islâmico liderado por Sharaa. A cúpula não havia sido anunciada.
Em coletiva de imprensa, Sharaa insistiu que sua prioridade máxima é preencher o vácuo do governo “de maneira legal e legítima”.
Sharaa prometeu preservar a paz civil mediante justiça de transição, reconstruir as instituições de Estado e voltar a desenvolver a economia síria.
Segundo o novo presidente, o próximo passo é embarcar em uma transição política que inclua conferência nacional, governo inclusivo e eleições, com prazo previsto de quatro anos.
O anúncio omitiu, no entanto, qual o cronograma para compor o novo órgão legislativo, assim como um calendário para a transição.
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Fawaz Gerges, professor de Relações Internacionais da Escola de Economia de Londres, destacou que a declaração “somente formaliza o status [de Sharaa] como governante e homem-forte na Síria”.
O Catar, que apoia a nova gestão, emitiu um comunicado para saudar “medidas que reestruturem o Estado sírio e construam consenso e união entre as partes”. A Arábia Saudita também congratulou Sharaa.
A Síria mergulhou em guerra civil no início de 2011, quando o regime de Assad reprimiu violentamente manifestações populares por democracia. Centenas de milhares foram mortos e milhões fugiram do país.