O grupo de resistência palestina Hamas confirmou nesta quinta-feira (13) a retomada da libertação dos prisioneiros de guerra israelenses em Gaza conforme planejado, via implementação do acordo de troca de prisioneiros.
As informações são da agência de notícias Anadolu.
Em nota, o movimento palestino reportou retomar o cronograma após consultas com Egito e Catar — mediadores do acordo — que prometeram trabalhar para “preencher lacunas e remover obstáculos”.
O Hamas reiterou manter a trégua “conforme assinado, incluindo troca de prisioneiros, de acordo com um cronograma específico”.
“Nossa delegação [chefiada por Khalil al-Hayya] tomou como enfoque a necessidade de aderir a todos os termos do acordo — sobretudo dar um teto a nosso povo e permitir a entrada de caravanas, tendas, maquinário, insumos médicos e combustível com urgência, assim como fluxo contínuo de ajuda humanitária e todo o resto estipulado no acordo”, destacou o movimento.
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“As conversas foram caracterizadas com um espírito positivo e os mediadores destacaram a demanda por seguir adiante para preencher lacunas e remover obstáculos”, acrescentou.
Na segunda-feira (10), o Hamas anunciou adiar a libertação dos prisioneiros de guerra israelenses, prevista para o fim de semana, devido ao descumprimento israelense dos termos do cessar-fogo.
Segundo números atualizados do Ministério da Saúde de Gaza, desde 19 de janeiro, quando entrou em vigor o cessar-fogo, ataques israelenses deixaram ao menos 118 mortos, além de 822 feridos.
Uma fonte confirmou cerca de 270 violações no período, em particular, do protocolo humanitário, com obstrução de entrada de tendas e casas pré-fabricadas ao enclave destruído por 15 meses de genocídio conduzido por Israel.
Em resposta, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu — procurado em 120 países sob mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) — ameaçou nesta terça-feira retomar os ataques de larga escala.
As ameaças do premiê coincidem com as de seu aliado na Casa Branca, Donald Trump, que prometeu converter Gaza em um “inferno na terra”, caso o Hamas não cumpra — unilateralmente — o prazo de sábado à meia-noite.
Gaza continua destruída, com mais de 48 mil mortos e dois milhões de desabrigados após 470 dias de genocídio conduzido por Tel Aviv — como investigado pelo Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), em Haia, desde janeiro de 2024.
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