clear

Criando novas perspectivas desde 2019

Sob receios de prisão, soldados israelenses fogem às pressas de Amsterdã

19 de fevereiro de 2025, às 16h26

Soldados israelenses na fronteira com Gaza, em 13 de junho de 2024 [Jack Guez/AFP via Getty Images]

Dois soldados israelenses fugiram de Amsterdã de volta a Tel Aviv, após um grupo pró-Palestina rastreá-los nas redes sociais para solicitar que sejam investigados por crimes de guerra cometidos em Gaza, confirmou nesta terça-feira (19) a rádio Kan, de acordo com informações da agência Anadolu.

Ambos foram evacuados após a linha-direta conhecida como Israeli Genocide Tracker divulgar na segunda (18) seus retratos no Twitter (X) sob a denúncia: “Após participar do genocídio, este comandante de blindados do 52º Batalhão de Israel, envolvido no sequestro de centenas de civis — sobretudo em Jabalia —, e que não se acanhou em tirar selfies com as vítimas, pousou em Amsterdã para tirar férias”.

Segundo a televisão israelense, ambos tinham visto para entrar na Holanda.

LEIA: Ativistas lançam ‘linha direta’ para denunciar soldados de Israel na Nova Zelândia

O país, no entanto, é signatário do Estatuto de Roma, documento fundador do Tribunal Penal Internacional (TPI) que investiga crimes de guerra e lesa-humanidade conduzidos por oficiais e lideranças israelenses em Gaza.

A corte — em Haia, também na Holanda — deferiu em novembro mandados de prisão contra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e seu ex-ministro da Defesa, Yoav Gallant, pelas violações em Gaza, como um precedente a investigações de países signatários.

O exército israelense ordenou suspensão das férias e retorno de ambos os soldados, além de deleção de todas as imagens e vídeos postadas por eles em suas contas das redes sociais, enquanto a serviço na Faixa de Gaza.

Tel Aviv tem alertado soldados contra viagens ao exterior, sob receios de processos legais, sobretudo após a Fundação Hind Rajab conseguir mandados e inquéritos em países como Brasil.

Gaza permanece por ora sob acordo de cessar-fogo e troca de prisioneiros, desde 19 de janeiro, firmado entre Israel e Hamas, após 470 dias de genocídio que deixou ao menos 160 mil mortos e feridos e dois milhões de desabrigados.

Israel é ainda réu por genocídio no Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) — também em Haia, corte global que investiga Estados.

LEIA: ‘Cemitérios para os vivos’: Palestinos libertados expõem violações de Israel