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EUA suspendem recursos a polícia da AP, em meio a cortes internacionais

20 de fevereiro de 2025, às 14h59

Brigadeiro-general Anwar Rajab, porta-voz das forças de segurança da Autoridade Palestina [Redes sociais/Reprodução/X]

Os Estados Unidos suspenderam o envio de recursos às forças de segurança da Autoridade Palestina (AP), como parte da política de Donald Trump para gastos assistenciais ao órgãos e países estrangeiros, confirmaram oficiais nesta quarta-feira (19).

Segundo informações do jornal The Washington Post, o corte de Trump deve agravar a crise fiscal que assola a Autoridade na Cisjordânia ocupada, sob escalada israelense — contrário a expectativas de governança de Gaza

O brigadeiro-general Anwar Rajab — porta-voz das tropas colaboracionistas palestinas — reconheceu à reportagem que Washington é um doador fundamental ao programas e às operações de sua agência.

Apesar do corte, um ex-oficial israelense afirmou que escritório de Coordenação de Segurança dos Estados Unidos em Jerusalém se mantém operacional e que “outros doadores se comprometeram em suprir a demanda”.

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Um oficial do setor de treinamento militar da Autoridade, todavia, indicou que alguns programas já foram cancelados e que um encontro agendado com oficiais americanos sobre as ações israelenses em Jenin foi adiado indefinidamente.

A Autoridade Palestina — órgão semiautônomo chefiado por Mahmoud Abbas, com sede em Ramallah — não consegue pagar a totalidade dos salários do funcionalismo público desde novembro de 2021.

A Palestina ocupada permanece dependente de Israel para comércio exterior, bem como coleta de impostos que passa por taxação do regime ocupante.

Neste contexto, o exército de Israel mantém uma escalada na Cisjordânia desde 21 de janeiro — dois dias após entrar em vigor o acordo de cessar-fogo em Gaza —, com 55 mortos e milhares de deslocados à força até então.

A Cisjordânia, assim como Jerusalém Oriental, sofreu uma onda de ataques coloniais, incluindo pogroms contra palestinos nativos, em paralelo ao genocídio em Gaza, com 900 mortos, sete mil feridos e 11 mil presos arbitrariamente.

Em setembro, a Assembleia Geral das Nações Unidas, por maioria ampla, corroborou uma decisão do Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), ao reconhecer a ilegalidade da ocupação israelense e requerer a evacuação de soldados e colonos, com prazo de um ano para ser implementada.

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