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Hamas entrega quatro corpos de reféns mortos por bombardeios de Israel

Os corpos da cidadã israelense Shiri Bibas e seus dois filhos, Ariel e Kfir, e Oded Lifshitz foram transferidos à Cruz Vermelha em Khan Yunis, no sul do enclave.

20 de fevereiro de 2025, às 09h46

As Brigadas Izz ad-Din al-Qassam, braço armado do grupo palestino Hamas, entregaram nesta quinta-feira (20) os corpos de quatro reféns israelenses mortos por bombardeios indiscriminados de Israel contra Gaza, conforme os termos do acordo de cessar-fogo e troca de prisioneiros.

Os corpos da cidadã israelense Shiri Bibas e seus dois filhos, Ariel e Kfir, e Oded Lifshitz foram transferidos à Cruz Vermelha em Khan Yunis, no sul do enclave.

O governo em Tel Aviv confirmou que o exército e o serviço de segurança interna, Shin Bet, receberam os corpos, cuja identidade será corroborada pelo Centro Nacional Abu Kabir de Medicina Forense. Em seguida, as famílias serão notificadas.

Na cerimônia de entrega, o Hamas distribuiu quatro caixões sobre um palco, em Khan Yunis, atrás dos quais um banner representou o premiê israelense Benjamin Netanyahu como vampiro, com sangue escorrendo de sua boca, sobre as imagens da família Bibas e Lifshitz.

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Na legenda, nos idiomas árabe, hebraico e inglês: “O criminoso de guerra Netanyahu e seu exército nazista os mataram com mísseis de aviões de guerra sionistas”.

A acusação do Hamas ecoa indícios de que os ataques de Israel, sob método de carpet bombing, ou bombardeio de saturação, incluindo alvos civis, culminaram na morte de dezenas de reféns.

Israel lançou sua campanha de extermínio e punição coletiva contra a Faixa de Gaza em 7 de outubro de 2023, após uma ação transfronteiriça do Hamas que capturou colonos e soldados. O exército israelense alegou 1.200 mortes na época, número sob escrutínio após vazamentos ao jornal Haaretz indicarem “fogo amigo”.

A entrega é parte da primeira parte do acordo de Gaza, em vigor desde 19 de janeiro, que encerrou, ao menos por ora, os 470 dias de genocídio israelense no enclave, com mais de 48 mil mortos e dois milhões de desabrigados. Entre as vítimas fatais, mais de 17.500 crianças.

A campanha levou a uma crise de diplomacia e relações públicas inédita ao regime de apartheid, incluindo mandado de prisão contra Netanyahu e seu ex-ministro da Defesa, Yoav Gallant, no Tribunal Penal Internacional (TPI), e indiciamento por genocídio contra o Estado israelense no Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), ambos em Haia.

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