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‘Racista’: Estudantes franceses denunciam proibição desportiva do hijab

20 de fevereiro de 2025, às 10h16

Atleta jordaniana Julyana Alsadeq veste hijab (véu islâmico) da Nike, para os Jogos Olímpicos de Paris, na França, em 9 de agosto de 2024 [Al Bello/Getty Images]

A Associação de Estudantes Muçulmanos da França (EMF) condenou um recente projeto de lei para banir o uso de véus islâmicos (hijab) nas competições esportivas, ao descrever a proposta como “racista, islamofóbica e sexista”.

As informações são da agência de notícias Anadolu.

Em postagem no Twitter (X), nesta quarta-feira (19), a organização discente reiterou que a lei é excludente, ao restringir o acesso de muçulmanos a espaços e eventos de natureza pública.

“Sob o pretexto de defender a ordem pública, esta lei efetivamente cria cidadãos de segunda classe”, destacou a associação em nota.

A EMF acusou os proponentes de “fabricarem um problema” referente ao Islã, com base em alegações vagas e marginais. Segundo o alerta, medidas como essa devem minar os princípios e valores nacionais de igualdade.

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A declaração notou ainda o que descreveu como incisivo escrutínio político dos corpos das mulheres muçulmanas, ao ressaltar a proibição de hijab e abayas nos colégios, em 2004 e 2023, respectivamente, e advertir contra o uso do esporte como uma arena de discriminação.

A associação destacou que a lei é parte de uma política abrangente de vigilância contra cidadãos muçulmanos e pediu oposição firme e imediata.

Na terça-feira (18), o Senado francês avançou na tramitação da medida, ao levar a proposta à Assembleia Nacional, câmara baixa do legislativo.

A Anistia Internacional rechaçou a medida: “Esta proibição é discriminatória e viola os direitos humanos. Todas as mulheres têm direito de escolher o que vestir. A proibição do hijab na França é mais uma medida embasada na islamofobia e na ideia patriarcal de que devemos controlar o que vestem as mulheres muçulmanas”.

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