Familiares dos prisioneiros de guerra israelenses mantidos em Gaza acusaram o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de obstruir um potencial acordo para assegurar a soltura dos 63 indivíduos ainda em custódia da resistência palestina.
Durante sessão no parlamento israelense (Knesset), nesta segunda-feira (24), as famílias expressaram receios de que a demora na libertação do último grupo de presos políticos palestinos possa prejudicar todo o processo.
Segundo os familiares, a procrastinação de Tel Aviv pode incorrer no abandono daqueles ainda em Gaza.
O tio do prisioneiro de Guerra Avi Natan Or condenou expressamente Netanyahu: “O senhor nos arrastou ao fundo do poço, nos transformou em um bando de lobos tentando devorar uns aos outros”.
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Yosef Engel, avô de um dos reféns, declarou ao parlamento: “Jamais tive tanta vergonha de Israel e de seu liderança como tenho hoje, por conta de como se deu esse acordo. O Hamas nos mostrou, pela entrega dos prisioneiros, vivos e mortos, quem é que realmente saiu vitorioso dessa guerra”.
“Peço aos senhores que façam todo o necessário para garantir a soltura dos 63 prisioneiros restantes”, acrescentou.
Israel e Hamas mantêm um frágil acordo de cessar-fogo e troca de prisioneiros em Gaza, após 470 dias de genocídio israelense, com ao menos 48 mil palestinos mortos e dois milhões de desabrigados, sobretudo mulheres e crianças.
Netanyahu é acusado de agir em causa própria, sob receios de que, caso não retome a guerra, perca apoio político de sua base supremacista, culminando no fim de seu governo e sua eventual prisão por corrupção, nos três processos em curso.
Netanyahu é ainda foragido em 120 países, sob mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, em novembro, por crimes de guerra e lesa-humanidade cometidos em Gaza.
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