Dezenas de jornalistas e membros da sociedade civil foram alvos no WhatsApp pela empresa israelense de spyware, Paragon Solutions, de acordo com um relatório publicado na sexta-feira, relata a Agência Anadolu.
No total, o WhatsApp disse ter “alta confiança” de que 90 jornalistas e membros da sociedade civil foram alvos e “possivelmente comprometidos”, disse a empresa em uma declaração ao jornal britânico The Guardian.
Não está claro quem dirigiu o ataque cibernético, mas o spyware Graphite da Paragon é conhecido por ser usado por clientes governamentais.
A Meta, empresa controladora do WhatsApp, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
O WhatsApp disse ao jornal britânico que emitiu uma carta de “cessar e desistir” para a Paragon, notificando a empresa israelense de que está avaliando possíveis opções legais em resposta ao hack. As notificações às vítimas continuam em andamento.
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“O WhatsApp interrompeu uma campanha de spyware da Paragon que tinha como alvo vários usuários, incluindo jornalistas e membros da sociedade civil. Entramos em contato diretamente com as pessoas que acreditamos terem sido afetadas. Este é o exemplo mais recente de por que as empresas de spyware devem ser responsabilizadas por suas ações ilegais. O WhatsApp continuará a proteger a capacidade das pessoas de se comunicarem de forma privada”, disse um porta-voz.
Uma vez infectado pelo Graphite, o telefone do usuário fica completamente comprometido, e o operador do spyware pode acessar tudo nele, incluindo mensagens criptografadas.
Especialistas anônimos disseram ao The Guardian que o hack provavelmente foi um ataque de “clique zero”, que não exige que o usuário clique em nenhum link para ser infectado.
O WhatsApp disse acreditar que os usuários foram infectados por um arquivo PDF malicioso enviado a alvos que foram adicionados a bate-papos em grupo, dizendo que avaliou com “confiança” que a Paragon estava envolvida no ataque.
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