Estamos vivenciando o fato mais estarrecedor da história, através do genocídio feroz lançado por “Israel” contra a população de Gaza, que acontece há mais de 538 dias diante dos ouvidos moucos e olhos cerrados do mundo “civilizado”, ao custo de cerca de 200 mil mártires palestinos, a maioria crianças e mulheres, segundo a revista científica The Lancet.
Quando o regime sionista israelense pratica este genocídio impune e ininterrupto, lembro do simbolismo da sagrada Jerusalém, a capital resistente da Palestina, e o que ela representa ao longo dos séculos para o povo palestino, como a terra das revelações divinas para humanidade e terra natal do povo árabe.
Durante sua longa existência, Jerusalém viu cenas de destruição idênticas as praticadas pelo regime sionista ao longo dos últimos 78 anos, e em Gaza, arrasada com bombas ofertadas pelos EUA. Jerusalém foi destruída pelo menos duas vezes, sitiada 23 vezes, atacada 52 vezes e capturada e recapturada outras 44 vezes, renascendo pelas mãos do seu povo resiliente e corajoso.
Jerusalém, Gaza e a Cisjordânia são parte integral da Palestina histórica, com seus vínculos comprovadamente milenares nas fronteiras do Rio ao Mar. Judeus jamais dominaram Jerusalém por um tempo considerável. A insistência de “Israel” em tornar Jerusalém a “capital unificada” da ocupação sionista, viola o Direito Internacional e diversas Resoluções da ONU sobre o tema.
Não por acaso, o regime sionista tem adotado o pretexto de que as decisões da ONU são “anti-israelenses” e uma perseguição à “única democracia do Oriente Médio” e, por isso mesmo, não cumpre as Resoluções que o obrigam a respeitar o Direito Internacional, no que conta com o apoio dos EUA no Conselho de Segurança da ONU.
A mídia pró sionistas insiste nessa cantilena da “única democracia do Oriente Médio”, embora saibamos que “Israel” é governado por um regime fascista, com práticas que se assemelham ao nazismo. É um país “democrático” apenas para sionistas. E um apartheid para os palestinos, sejam eles cristãos ou muçulmanos.
“Israel” sabe que, do ponto de vista do Direito Internacional, da Carta das Nações Unidas, de Convenções internacionais, do Estatuto de Roma e das dezenas de Resoluções da Assembleia Geral e do Conselho de Segurança da ONU, Jerusalém não lhe pertence, que os territórios ocupados desde 1948, não lhes pertence.
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O genocídio em Gaza é parte da Nakba permanente que almeja eliminar a presença árabe que eles detestam. O plano em curso para a limpeza étnica dos palestinos é uma afronta à humanidade e ao legado milenar da Cidade Santa, contra o qual anualmente milhões de pessoas se mobilizam em todos os cantos para declarar a sua solidariedade a Jerusalém.
A Palestina, Jerusalém e Gaza, em particular, são símbolos da luta contra a opressão. Exemplo para todos os povos que lutam pela paz, contra as ocupações, colonialismo, segregação e a ingerência imperialista nos seus países. Simboliza a causa de um povo que o mundo tem sido incapaz de resolver e assegurar seus direitos. Um povo cuja terra continua a sofrer os piores tipos de segregação, genocídio e injustiças da história.
Não por acaso, uma das primeiras declarações do Imam Khomeini, Líder da vitoriosa Revolução popular islâmica, foi de apoio incondicional à libertação da Palestina. Para tanto, estabeleceu a última sexta-feira do sagrado mês do Ramadã como o “Dia Mundial de Al-Quds” (Jerusalém), para demonstrar que a causa palestina é uma questão internacional, de soberania e de direitos humanos, o dia simbólico em que todo oprimido confronta seu opressor.
A libertação da Palestina e sua capital Jerusalém, é uma causa essencialmente humanitária, que tomou novos contornos desde a batalha “Dilúvio de Al-Aqsa”. Desde 1948, milhões de palestinos vêm sendo assassinados ou expulsos de suas casas, terras e locais de vida e trabalho por um regime que viola os direitos dos palestinos.
Jerusalém é um Patrimônio da Humanidade e a terra em cujo solo estão os restos mortais de milhares de profetas e lutadores por justiça. É a terra de Abraão, Moisés e Jesus e cidade sagrada para as três principais religiões abraâmicas, que acolhe há séculos as comunidades cristã, muçulmana, judia e armênia, que habitaram a cidade de maneira pacífica e tolerante, até a chegada dos judeus sionistas europeus, em 1948.
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“Israel” usa sua total força militar e o apoio integral dos EUA, da Europa e de traidores árabes para exterminar o povo originário, na contínua tentativa de apoderar-se das terras da sitiada Faixa de Gaza, Apesar disso, tem fracassado em todas as tentativas de destruir a Resistência, tomar Gaza e recuperar os reféns.
Na tentativa de varrer a Palestina do mapa, “Israel” tornou o mundo inteiro uma Palestina. Dezenas de milhões de pessoas têm se mobilizado nas ruas das principais cidades em apoio ao povo palestino. Ao tentar sitiar o povo de Gaza, o sionismo sitiou a si mesmo e parece estar em declínio terminal, tornando o 7 de outubro de 2023 o começo do fim do projeto colonial sionista na Palestina.
Mesmo diante da assimetria do enfrentamento, as forças da Resistência palestina saíram mais fortes, mais enraizadas na população, melhor preparadas militarmente e com importante apoio popular em Gaza, na Cisjordânia e em todo o mundo. As trocas de prisioneiros foram uma demonstração de derrota moral e militar sionista, e uma vitória do povo palestino, apesar do elevado número de mártires e da destruição da infraestrutura de Gaza.
O povo palestino e sua heroica Resistência continuarão firmes no caminho traçado pelos mártires, até que a Palestina seja libertada, do Rio ao Mar.
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